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Exportar brasilidade é dica de especialistas para aumentar participação no mercado internacional no primeiro dia do Congresso Nacional Moveleiro

Levar o DNA brasileiro para o mercado exterior como diferencial competitivo. Foi este o desafio proposto por Marcelo Prado, diretor do IEMI, durante o primeiro dia da sétima edição do Congresso Nacional Moveleiro.

Na abertura da programação, o presidente do Sistema Federação das Indústrias do Paraná, Edson Campagnolo, aproveitou o tema da programação, “Repense a Forma e Reinvente o mercado”, falou da necessidade de os industriais manterem a integração para superar o desaquecimento do mercado interno. Ele também citou os eventos que geraram instabilidade política e econômica ao país. “Nenhum de nós imaginava que assistíamos um ‘festival’ de corrupção. Preciso insistir que o momento que o país atravessa é fruto do nosso descaso em relação às questões políticas. Nos próximos dias, temos uma eleição municipal, essas pessoas que elegemos ou, por não participarmos, outros elegem, acabam fazendo a gestão de recursos e tomam as decisões por nós”.

Irineu Munhoz, coordenador do Conselho Setorial a Indústria Moveleira, destacou que o tema do congresso desperta o empresariado a examinar sua forma de atuação para estabelecer um novo mercado, e celebrou a possibilidade que a programação oferece para a troca de experiências entre os atores do setor. “Juntos, focados no empreendedorismo e no dinamismo do empresário brasileiro, poderemos enxergar novas oportunidades”.

Exportar brasilidade

Ao apresentar dados do setor no Brasil e no mundo, Marcelo lamentou a queda da participação da indústria moveleira nacional no mercado externo. Segundo dados apresentados, o Brasil recuou da 12ª posição para a 32ª entre os países exportadores, com participação de 0,3% do total global.

“Se o mundo pegou carona nas exportações para crescer no setor, o Brasil não entrou nesse bonde. E não entrou porque de 2005 para cá, [o país] adotou como política de controle de inflação, sobretudo depois de 2009, a valorização da moeda. Foi bom para quem queria ir para Miami, mas foi um horror para a indústria. O Brasil ficou caro antes de ficar rico”, analisou. Atualmente, apenas 3% da produção brasileira é destinada ao exterior.

Marcelo lembrou que em dez anos as exportações brasileiras recuaram 44%, enquanto as importações cresceram mais de 11 vezes no mesmo período. A expectativa para este ano é que as vendas para o mercado externo recuem 11,3%.

Com produção mundial estimada em US$ 482 bilhões em 2015, o Brasil é hoje o quinto maior produtor, com 3,2% do produzido, contra 3,% há dez anos. Do volume total fabricado, a China responde por 44%; há dez anos, o país representava apenas 10% do total produzido.

O segmento nacional hoje conta com 20 mil unidades produtivas, apresentou Marcelo, que respondem hoje por 275 mil empregos. Em dez anos, foram 6 mil novos produtores, que geraram 62 mil novos empregos no período (acréscimo de 29%). O Paraná é o terceiro maior produtor nacional, e Arapongas é o município que mais produz móveis em todo o país – a cidade viu sua produção crescer 28% entre 2008 e 2015. O Estado fica atrás apenas de São Paulo e Rio Grande do Sul.

Horizonte

A perspectiva para o setor, assim como para as demais áreas da atividade econômica do País, é de retomada lenta. Na visão de Marcelo, há sinais consistentes de que o mercado pode começar a se recuperar ainda este ano, a partir do quarto trimestre. Segundo ele, o pagamento do 13º salário, natal, Black Friday e demais promoções voltadas para o fim do ano podem servir de alento para a indústria moveleira ainda em 2016. “Nada que possa reverte as projeções atuais de queda no varejo e na indústria”, pondera.

Olhando para 2017, o horizonte para o setor revela uma previsão de crescimento de 1,5%, contra a queda prevista de 5,8% para este ano, apresenta o especialista. Mas a possibilidade de retomada do volume produzido em 2013, de 476 milhões de peças – número considerado recorde – é vislumbrada apenas para 2022.

Para retomar o caminho das exportações, a sugestão do executivo da IEMI é focar em inovação e nas características que tornam o Brasil diferente de outros países. Entre essas possibilidades estão a variedade e a qualidade de madeira à disposição do produtor brasileiro. “Exportamos basicamente móveis de madeira. Porque desde que ficamos expostos à concorrência internacional, [mostramos] que somos competitivos em móveis de madeira. E são poucos os países que podem transformar madeira em móveis. Podemos explorar isso ao máximo, não apenas fazendo o que os outros mercados pedem”.

O primeiro dia foi marcado também pela discussão gerada no painel “O espaço inovador na indústria moveleira”, no qual foram apresentados cases de inovação com empresas como a Embraer, Caemmun Movelaria e Omega Móveis. Alexandre Solis, diretor industrial da Embraer, trouxe aos participantes, a partir da experiência da fabricante de aeronaves, a palestra “Análise de cenários e a cadeia de valor na tomada de decisões estratégicas da sua empresa”. A discussão sobre estratégias de expansão de marca foram ampliadas no painel “Fazendo o marketing do seu negócio”, que contou com as participações de profissões da Associação dos Profissionais de Propaganda (APP). A cerimônia de entrega do Prêmio Top Móbile encerra as atividades do primeiro dia do congresso.

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